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O município de Santana do São Francisco viveu um momento histórico na última terça-feira, 2, com a realização da cerimônia de entrega do selo de Indicação Geográfica (IG) para o artesanato de barro local. O evento, realizado no Centro Comercial de Artesanato, reuniu artesãos, representantes de instituições parceiras e autoridades para celebrar a conquista, reconhecida oficialmente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A Indicação Geográfica foi publicada na Revista da Propriedade Industrial (RPI) e reconhece a notoriedade e a identidade do artesanato de barro produzido no município, uma tradição transmitida entre gerações e que faz parte da história e da cultura da região do Baixo São Francisco.

Para o presidente da Associação dos Artesãos de Barro de Santana do São Francisco, Douglas Moura, o reconhecimento representa uma conquista construída coletivamente pela comunidade.

“Como filho de artesão, vejo esse reconhecimento como uma conquista coletiva de homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao barro e transformaram essa tradição em patrimônio cultural de Santana do São Francisco. A Indicação Geográfica fortalece nossa identidade, valoriza o trabalho dos artesãos e abre novas oportunidades para toda a comunidade”, afirmou.

Cerimônia reuniu artesãos e instituições parceiras para celebrar a conquista da Indicação Geográfica. Foto: Jouis Fotografia.

A solenidade contou com a participação da Cooperativa dos Artesãos de Santana do São Francisco, da Prefeitura Municipal, do INPI, da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (SETEEM) e do Sebrae Sergipe, instituições que atuaram de forma integrada durante o processo de reconhecimento.

Com a certificação, o artesanato de barro de Santana do São Francisco passa a integrar o grupo de produtos brasileiros protegidos por Indicação Geográfica, instrumento de propriedade intelectual que identifica produtos cuja reputação, qualidade ou características estão diretamente relacionadas ao seu território de origem.

A conquista representa um importante diferencial competitivo para os artesãos locais, agregando valor aos produtos, ampliando oportunidades de mercado e fortalecendo a identidade cultural do município.

Peças produzidas por artesãos locais preservam técnicas transmitidas entre gerações. Foto: Jouis Fotografia.

Segundo a pesquisadora em Propriedade Industrial do INPI, Lourdes Alves, a certificação reforça a importância da proteção e valorização dos produtos ligados aos seus territórios de origem.

“Essa conquista agrega valor ao artesanato, fortalece a identidade cultural da região, amplia oportunidades de mercado e ajuda a impulsionar o turismo e a economia local. Além disso, protege e preserva um patrimônio cultural que faz parte da história do povo sergipano. É uma vitória não apenas para os artesãos, mas para todo o estado de Sergipe, que passa a ter mais um produto reconhecido nacionalmente por sua autenticidade e tradição”, ressaltou.

A coordenadora do Artesanato da SETEEM, Daiane Santana, destacou o impacto da IG para o fortalecimento do setor artesanal sergipano e para a geração de oportunidades econômicas na região.

“A entrega oficial do selo de Indicação Geográfica consolida o reconhecimento da identidade, da originalidade e do conhecimento tradicional dos ceramistas de Santana do São Francisco. A partir de agora, o artesanato local ganha ainda mais visibilidade, levando para o Brasil e para o mundo um trabalho que representa a cultura sergipana e contribui para o desenvolvimento local e estadual”, afirmou.

Já a analista da Unidade de Inovação do Sebrae Sergipe, Ângela Souza, celebrou a conquista como um marco para o fortalecimento do artesanato e da economia local.

“O reconhecimento da Indicação Geográfica é motivo de orgulho e evidencia o grande potencial e o valor do artesanato de Santana do São Francisco. Os artesãos estão de parabéns pelo trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos, e essa conquista contribui para agregar valor à produção local, gerando mais oportunidades e desenvolvimento para o município”, destacou.

Trabalho conjunto 

O processo para obtenção da Indicação Geográfica contou com o apoio técnico do Sebrae Sergipe. Em 2024, foi realizado um diagnóstico que identificou o potencial do território para obtenção do registro. A partir daí, foram desenvolvidas ações como a elaboração do dossiê técnico, a criação do signo distintivo da IG e o fortalecimento da organização gestora responsável pela indicação.

Em 2025, a documentação foi analisada pelo INPI e passou por etapas de complementação até a concessão oficial do reconhecimento, publicada em 2026.

A IG do artesanato de barro de Santana do São Francisco é a 153ª Indicação Geográfica brasileira reconhecida pelo INPI, a 19ª relacionada ao artesanato e a segunda de Sergipe. A primeira foi a da Renda Irlandesa de Divina Pastora, concedida em 2012.

Tradição moldada pelo tempo 

A produção artesanal em barro faz parte da identidade de Santana do São Francisco desde o período colonial. Utilizando a argila encontrada às margens do rio São Francisco, gerações de artesãos desenvolveram técnicas próprias para a confecção de utensílios domésticos, peças decorativas e objetos religiosos.

Mais do que uma atividade econômica, o artesanato de barro representa um patrimônio cultural que preserva saberes tradicionais e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade.

Com a entrega oficial do selo, os artesãos celebram não apenas um reconhecimento institucional, mas também a valorização de uma história construída pelas mãos de quem mantém viva uma das mais importantes expressões da cultura popular sergipana.

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