A formalização do negócio elevou em 276% a renda dos empreendedores sergipanos em comparação com aqueles que atuam na informalidade. É o que revela o estudo “Empreendedorismo Informal sob a Ótica da PNAD Contínua”, realizado pelo Sebrae com base nos dados do quarto trimestre de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Enquanto os empreendedores com CNPJ alcançaram renda média mensal de R$ 5.893, o maior valor registrado nos últimos cinco anos e o terceiro maior do Nordeste, atrás apenas de Alagoas e Pernambuco, os informais obtiveram rendimento médio de R$ 1.566.
Um dos fatores que ajudam a explicar essa diferença é o nível de escolaridade. Pouco mais da metade dos empreendedores informais (50,7%) não concluiu o ensino médio, enquanto apenas 16% possuem o ensino superior incompleto. Apesar desse cenário, o estudo aponta que a busca por qualificação vem se intensificando nos últimos anos.
Em 2015, por exemplo, 78,4% dos empreendedores sem CNPJ não haviam concluído o ensino médio. Já a participação daqueles com ensino médio completo praticamente dobrou, passando de 16% para 33,4% em dez anos. Entre os que possuem ensino superior incompleto, o percentual quase triplicou, passando de 5,7%, em 2015, para 16%, em 2025.
Aumento das formalizações
Outro ponto positivo apontado pelo estudo do Sebrae é o crescimento da participação dos negócios formalizados em relação ao total de empreendimentos no estado. Em 2015, apenas 14% dos negócios estavam formalizados. Dez anos depois, esse percentual chegou a 24,2%.
De acordo com o levantamento, Sergipe possui atualmente 207,8 mil empreendedores informais. Em 2015, eram 274,7 mil, o que representa uma redução de 24,6% no período.
Já o número de formalizados chegou a 66,2 mil, ante 44,6 mil registrados dez anos antes. O crescimento foi de 48,4%.
“O que temos percebido é que a figura do microempreendedor individual tem se tornado o caminho procurado por essas pessoas, principalmente pela facilidade do processo de formalização e pelos benefícios proporcionados por essa categoria jurídica. Isso é importante porque a regularização do negócio traz novas perspectivas, não apenas em relação ao faturamento. Da mesma forma, identificamos uma busca constante por capacitação, o que aumenta a chance de sobrevivência desses negócios no mercado”, explica o superintendente do Sebrae, Christiano Dias Lebre.
Perfil dos donos de negócios
A pesquisa do Sebrae mostra ainda que os empreendedores informais atuam, em sua maioria, nos setores de serviços (42,5%), comércio (23,2%) e agropecuária (17,5%). Quase 92% trabalham sozinhos, enquanto apenas 8,2% são empregadores, ou seja, possuem funcionários.
A maioria exerce suas atividades sem um local fixo de trabalho (61,4%), enquanto 24,8% contam com uma loja, escritório ou outro estabelecimento fixo.
O perfil predominante é de homens (62,8%), pessoas que se autodeclaram negras (74,9%) e empreendedores com idade entre 40 e 59 anos, faixa que representa 43,9% do total.
Um dos pontos de atenção identificados pelo levantamento é o elevado número de empreendedores que não contribuem para a Previdência Social. Cerca de 83% não recolhem contribuições para o INSS, embora esse percentual tenha apresentado uma melhora em relação a 2015, quando chegava a 88%.
Outro dado que chama a atenção é a diferença na jornada de trabalho. Enquanto os donos de negócios formalizados trabalham, em média, 42 horas por semana, os empreendedores informais dedicam 34 horas semanais às suas atividades.
-

